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Memória e História: A primeira Câmara de Comércio

A PRIMEIRA CÂMARA DE COMÉRCIO

DO RIO GRANDE DO SUL

 

*Prof. Luiz Henrique Torres

A Câmara de Comércio da cidade do Rio Grande é a mais antiga do Rio Grande do Sul e a quarta mais antiga do Brasil. O primeiro documento formal que levou a criação da então denominada Praça de Comércio é uma ata da reunião ocorrida no dia 26 de setembro de 1844: “Aos vinte e seis dias de Setembro de mil oitocentos e quarenta e quatro nesta Cidade de Rio Grande do Sul em Casa de morada do Cidadão Antônio Teixeira de Magalhães, onde eu Antônio Bonone Martins Vianna me achava e tratando-se aí dos estabelecimentos de utilidade que muito necessitava esta Cidade, concebemos a idéia de uma Praça de Comercio, atentas as circunstancias e importante posição, que esta tem tomado nesta parte da Província e conseguintemente projetamos fundar o lembrado estabelecimento chamando para nos coadjuvar, algumas pessoas de influência, e neste pensamento foram lembrados os Cidadãos Manoel Joaquim de Souza Medeiros, João de Miranda Ribeiro e Vicente Manuel de Espíndola aos quais logo nos dirigimos propondo o nosso projeto e convidando-os para nos coadjuvarem; e sendo aprovado e aceito por eles designou-se o dia trinta do corrente às dez horas para nos reunirmos em Casa do Cidadão Antonio Teixeira de Magalhães e deliberarmos a respeito de que para constar faço esta ata em que todos assinamos. Eu Antonio Bonone Martins Vianna escrevi. (ass) João de Miranda Ribeiro, Antonio Teixeira de Magalhães, Manoel Joaquim de Souza Medeiros, Vicente Manoel de Espíndola, Antonio Bonone Martins Vianna.

Estes cinco homens deram início a uma associação que seria muito atuante no encaminhamento de propostas de solução para as atividades econômicas na cidade com um olhar atento ao Porto do Rio Grande. Em reunião ocorrida no dia 30 de setembro de 1844 é indicada à comissão responsável por convidar pessoas do comércio a se associarem a então chamada Praça do Comércio da cidade do Rio Grande, obtendo-se a adesão de 219 pessoas. Uma dificuldade inicial foi o local para sediar a associação conforme se depreende da Ata de 18 de novembro de 1844: “Reuniram-se os membros da Diretoria provisória, na residência de Antônio Teixeira de Magalhães, para tomarem conhecimento, em 3ª Sessão, de que o número de cem sócios já havia sido atingido, tratando a seguir (...) da Casa em que se deve estabelecer a Praça, nenhuma outra existe a não ser uma de propriedade Nacional que em algum tempo serviu de Alfândega, depois de Aula de primeiras letras e hoje de arrecadação de gêneros a despachar, não só por suas boas comodidades como pela conveniente situação em que se acha...".

Na Ata de 18 de dezembro de 1844 foi feita a leitura da correspondência enviada pelo presidente da Província cedendo à casa pedida e agradecendo o convite feito pela Diretoria para ser o protetor da Praça do Comércio. No dia 5 de janeiro de 1845 o Inspetor da Alfândega entrega as chaves da Casa da Alfândega para ser ocupada pela Praça do Comércio. Esta casa é o primeiro prédio da Alfândega na então Vila do Rio Grande e data de 1803. Localizava-se na esquina das ruas Marechal Floriano e Andradas, onde atualmente está estabelecida uma farmácia. Porém, em 1846, estaria sendo inaugurada a sede própria junto a praça da Alfândega (atual praça Xavier Ferreira) em local onde está edificado o atual prédio da Câmara de Comércio.

A Ata da reunião do dia 15 de Janeiro de 1845 ressalta o pioneirismo da iniciativa, em discurso proferido por Antonio Teixeira de Magalhães: “Senhores!

O estabelecimento de uma Praça de Comércio nesta cidade é incontestavelmente um desses melhoramentos que o Rio Grande a muito tempo reclama como objeto de suma importância para o Comércio nas circunstâncias em que felizmente se acha

(...) devo dizer que dependendo de vós a sorte deste estabelecimento nascente, a diretoria cheia de confiança em vossas mãos a deposita, esperando todos os sócios, reunidos a cada um de por si tomando uma parte ativíssima se empenharão por abrilhantar e sustentar o primeiro e único estabelecimento que com as mais lisonjeiras esperanças se apresenta ao Comércio da Província de S. Pedro para formar um corpo respeitável que deve garantir todos aqueles benefícios que o mesmo Comércio necessita. Viva Sua Majestade o Imperador! Viva a Assembléia Geral! Viva o Exmo. Presidente da Província e Protetor da Praça de Comércio Viva o Corpo de Comércio da Cidade do Rio Grande”.

O papel de encaminhar propostas de solução para problemas envolvendo a economia local e regional foi desempenhado desde os seus primeiros anos. É o caso da correspondência expedida por Eufrazio Lopes de Araújo (Barão de São José do Norte) então presidente da denominada Associação Comercial da cidade do Rio Grande em 07 de agosto de 1886. A Barra e o Porto do Rio Grande era o objeto de reivindicações encaminhadas ao Imperador D. Pedro II: “Senhor, a Associação Comercial da cidade do Rio Grande, atenta em velar por todos os legítimos interesses e imperiosas necessidades do comércio em geral e principalmente da agricultura, indústria e comércio desta província, não podendo ficar indiferente diante das circunstâncias graves e poderosas que impedem o cabal desenvolvimento dos principais ramos de sua vida econômica, vem, com o devido acatamento, representar ao Governo de Vossa Majestade Imperial, sobre os sérios obstáculos e dificuldades que a seu eventual progressos opões os embaraços naturais e constantes mudanças da barra do Rio Grande do Sul, passo geral obrigatório de todo o tráfego marítimo da província com o exterior, - e solicitar a imediata execução das obras permanentes da mesma barra, projetadas pelo engenheiro Dr. Bicalho, e definitivamente confirmadas pelo ilustre especialista holandes o Sr. P. Caland.”

Em 25 de setembro 1919 foi alterada a denominação de Associação Comercial da cidade do Rio Grande para a atual de Câmara de Comércio da cidade do Rio Grande.

Em 24 de junho de 1935 foi lançada a Pedra Fundamental do novo edifício da Câmara de Comércio da Cidade do Rio Grande, no mesmo local onde se encontrava e havia sido construído o prédio de 1846. Em 26 de setembro de 1942, foi oficialmente inaugurado o Edifício Sede da Câmara de Comércio da Cidade do Rio Grande, tendo sido feita à entronização do Pavilhão Nacional no Salão Nobre e inaugurada as instalações da Câmara. Maiores informações podem ser obtidas no endereço eletrônico http://www.camaradecomercio.com.br/site/?n_link=historia.

 

* Prof. Doutor Luiz Henrique Torres, graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal de Santa Maria, Especialização em História da Cultura Brasileira, Mestrado em História e Doutorado em História do Brasil. Professor da FURG, com experiência na historiografia do Rio Grande do Sul e missioneira, história e historiografia da cidade do Rio Grande e processos históricos na zona costeira do Brasil. email: lht2@bol.com.br

 

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