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Cadastro Positivo ou Negativo ?

31/01/2017

Vilson Noer (*)

Em meio à crise que vem assolando a economia brasileira, onde mais de 12 milhões de desempregados engrossam as filas de recolocação, o governo Federal sinalizou uma nova oportunidade para o comércio deixar para traz os dias de estagnação. A implantação do Cadastro Positivo previsto na Medida Provisória anunciada pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, em 20 de dezembro de 2016, poderá trazer mais 1 milhão de novos consumidores com potencial de compra para o varejo do Rio Grande do Sul, além dos atuais 6 milhões de pessoas que se utilizam de algum tipo de crédito.

Com isso poderá passar dos atuais 50% do PIB em concessões de crédito para algo entre 65% a 68%. Traduzindo isto em valores, podemos projetar um incremento de mais de R$ 5 bilhões em negócios com compras de eletrônicos, eletrodomésticos, carros e imóveis populares nos próximos 5 anos no estado. A primeira experiência para implantação do Cadastro Positivo no Brasil, em 2013, não foi exitosa. Na época, a Lei aprovada com muitos penduricalhos trazia desconfiança e não garantia de forma mais clara os reais benefícios.

Isso, associado à possibilidade de venda com preços diferentes entre dinheiro e cartão de crédito devem representar, em curto espaço de tempo, uma significativa redução dos juros na concessão de crédito. E essa diminuição estará muito atraente e longe do absurdo cobrado pelas administradoras de cartão, somando no mês de dezembro de 2016 um percentual de 484,6% ao ano.

É preciso desmitificar o senso comum de que quanto maior a dívida do consumidor, melhor para o comércio. Ao contrário, nenhum empresário quer levar o cliente para a inadimplência. O sucesso dessas decisões depende da adesão a esse banco de dados, e também do nível de confiabilidade do Cadastro Positivo, além do consumidor se sentir seguro e respeitado no direito básico à informação, com critérios transparentes de avaliação de risco.

Presidente da AGV

 


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